Pages

O JUÍZO FINAL [ PARTE 2 ]

II – O LANÇAMENTO DO JUÍZO DIVINO SOBRE A HUMANIDADE NA GRANDE TRIBULAÇÃO; O JULGAMENTO DAS NAÇÕES E A EXECUÇÃO DO JUÍZO SOBRE O DIABO E SEUS ANJOS


Conforme vimos na lição anterior, após ter sido dada a última oportunidade para a humanidade se arrepender, através da pregação do evangelho eterno por três anjos evangelistas, iniciar-se-á a “hora de segar”, o instante da colheita, o momento de os homens receberem o que merecem por não terem aceitado a Cristo Jesus como seu Senhor e Salvador (Ap.14:14,15).

Sabemos todos que, em virtude do pecado, o homem se encontra irremediavelmente perdido e destituído foi da glória de Deus (Rm.3:23) e, sem Cristo, não lhe resta senão sofrer a ira de Deus, que sobre ele permanece desde o momento em que pecou (Jo.3:36).

No entanto, desde o instante em que Cristo veio ao mundo, iniciou-se o tempo da graça de Deus, que, tendo trazido a salvação aos homens, não permitiu que o juízo fosse lançado enquanto o homem vivesse sobre a Terra, dando-lhe oportunidade para que se arrependesse dos seus pecados. 

Assim foi que, durante largo tempo na história da humanidade, manteve aqui a Igreja, com a missão de pregar o Evangelho a toda a criatura por todo o mundo (Mc.16:15), testificando de Cristo até os confins da Terra (At.1:8), além de, por sinais, prodígios e maravilhas, confirmar a palavra de salvação que fora pregada (Mc.16:20; Hb.2:3,4).

Mesmo após o arrebatamento da Igreja, consoante estudamos na lição passada, o Senhor, na Sua infinita misericórdia, fez com que os 144.000 (cento e quarenta e quatro mil) e as duas testemunhas pregassem o Evangelho do reino, que levou à conversão de muitos, todos estes, como também vimos, inevitavelmente mortos pelo Anticristo.

Mas, desde que a Igreja foi arrebatada, o Senhor, também, ao lado da pregação do Evangelho do reino, não deixou de demonstrar o Seu desagrado para com os impenitentes, iniciando a demonstração do juízo divino, numa paulatina e longânima diminuição do exercício da Sua misericórdia.

Ao permitir a ascensão do Anticristo, fez com que um rastro de destruição e morte acompanhasse a falsa paz propalada pela besta, como se vê no tocante à abertura dos seis primeiros selos(Ap.6), sendo que, no sexto selo (Ap.6:12-17), temos a evidência da soberania divina, quando uma série de fatos da natureza revelam aos homens, sem qualquer dúvida, de que o Anticristo não era um deus, nem tampouco poderia ser adorado.

Em seguida à abertura do sexto selo, que é seguido pela proclamação do Anticristo como um deus, no auge de seu reinado, o Senhor dá prosseguimento o derramamento de Sua ira sobre o mundo, mas o faz ainda parcialmente, através das sete trombetas (Ap.8,9 e 11:15-19), ainda abrindo a oportunidade para que os homens se arrependam através da pregação angelical.

Terminada esta pregação, porém, chega o momento da ceifa, da colheita, pois “…Deus não Se deixa escarnecer, porque tudo o que homem semear, isso também ceifará” (Gl.6:7). Este tempo da colheita, aliás, foi anunciado tanto por João Batista (Mt.3:12; Lc.3:17) como pelo próprio Jesus (Mt.13:40-42).

Esta ceifa será determinada pelo próprio Senhor Jesus(Ap.14:14-16), que, aliás, desde o início do livro do Apocalipse, é apresentado, glorificado, não só como sumo sacerdote mas, também, como o supremo juiz.

Esta ceifa começa com o lançamento das sete taçasque consumam a ira de Deus sobre a humanidade impenitente (Ap.15:1), as sete últimas pragas em que o Senhor completa o juízo iniciado com as sete trombetas. Eis um breve sumário das sete taças:

a) primeira taça– uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem (Ap.16:2);b) segunda taça– morte de todas as criaturas marinhas (Ap.16:3), terminando-se, assim, o que havia sido iniciado com a segunda trombeta (Ap.8:8);c) terceira taça– as águas doces tornam-se em sangue, ou seja, deixam de ser potáveis (Ap.16:4), completando-se, assim, o juízo da terceira trombeta (Ap.8:10,11);d) quarta taça– os homens são abrasados com grandes calores, o verdadeiro “aquecimento global” (Ap.16:9);e) quinta taça– o reino da besta torna-se tenebroso (Ap.16:10);f) sexta taça– secam-se as águas do rio Eufrates e espíritos de mentira convencem os governantes do mundo a guerrear contra o remanescente de Israel para destruí-lo totalmente (Ap.16:12-16);g) sétima taça– o maior terremoto de todos os tempos (Ap.16:17-21).

Por ocasião do grande terremoto, quando as nações da Terra já estarão reunidas no vale de Josafá (Jl.3:2), também chamado de vale do Armagedom (Ap.16:16), sob o comando do Anticristo, para a destruição do remanescente fiel de Israel, que, tendo rompido com o Anticristo logo após ter ele se declarado deus e profanado no templo, fugiu para esta região da Judeia (Mt.24:15-22), terá início a destruição do sistema gentílico rebelde contra Deus, a “Babilônia” de que fala o texto do livro do Apocalipse (Ap.17,18).

Na batalha do Armagedom, o próprio Jesus, acompanhado da Igreja, aparecerá em glória nas nuvens dos céus e será reconhecido como o Messias pelos judeus que estarão na iminência de serem destruídos (Is.63:1-6; Ap.1:7; 19:11-19) e, mediante o reconhecimento dos judeus de que Jesus é o Messias, serão eles salvos e sobre eles se derramará o Espírito Santo, tornando-os o reino sacerdotal para o Milênio (Zc.12, 14; Jl.3).

O Senhor vencerá o Anticristo e o Falso Profeta, como também os seus exércitos, e as duas bestas serão lançadas vivas no lago de fogo e enxofre(Ap.19:20), inaugurando este terrível local, que foi preparado para o diabo e seus anjos (Mt.25:41).

Após o lançamento das bestas no lago de fogo e enxofre, o Senhor Jesus fará o julgamento das nações, ou seja, determinará quem participará do milênio e quem não o fará, separando, assim, os bodes das ovelhas (Mt.25:31-46). Todos que se levantaram contra Israel e creram nos espíritos de mentira que saíram da boca da trindade satânica, congregando-se contra o povo de Deus no vale do Armagedom (Ap.16:13,14), serão mortos (Ap.19:14).

Somente serão poupados, para participar do reino milenial de Cristo o remanescente de Israel e as nações que não se aliaram ao Anticristo, que não aceitaram pôr o sinal da besta em suas testas e mãos, que creram na mensagem da pregação angelical do evangelho eterno.

Em seguida a esta seleção, um anjo descerá do céu e aprisionará o diabo, que já terá sido precipitado na Terra por ocasião do início da manifestação da ira de Deus (Ap.12:7-9), lançando-o no abismo, lugar temido por todos os demônios (Lc.8:31; Jd.6), para que fique mil anos sem poder tentar a humanidade (Ap.20:1-3).

 “…O Senhor Jesus Cristo, o supremo juiz, já sentenciou Satanás a mil anos de prisão no abismo e não há advogado deste ou de qualquer outro mundo que possa anular ou mesmo atenuar esta sentença. Este abismo não é o inferno, o lago de fogo. 

O lago de fogo será inaugurado pela besta e pelo falso profeta (Ap.19:20). A prisão de Satanás terá duração de mil anos.…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: o livro da revelação, p.128).

Ao término do milênio, o diabo será solto e voltará a enganar as nações, levando-as a se rebelar, uma vez mais, contra o Senhor. Os rebeldes se reunirão e cercarão Jerusalém, mas a rebelião será desfeita mediante a descida de fogo do céu que a todos devorará (Ap.20:7-10), ocasião em que o diabo, então, será, juntamente com seus anjos, lançado no lago de fogo e enxofre, onde já terão estado, há mil anos, as bestas.

“…A queda de Satanás nesta secção [Ap.20, observação nossa] alude, profeticamente, à queda de todos os poderes do mal, conforme se depreende da secção seguinte. Ele tinha já passado mil anos no abismo, mas isso foi uma ação intermediária. Agora, entretanto, ele sofrerá a sua derrota final e irá para seu destino. Finalmente, a cabeça da serpente é ferida para sempre (Gn.3:15). 

A vitória conseguida sobre o diabo no Calvário agora recebe operação completa. Sua queda será gradual. Ele será expulso dos ares para a terra e o mar no período da Grande Tribulação (Apo.12:9 e s.). Será aprisionado por mil anos (Ap.20:2 e s). 

E então, no texto em foco, derrotado completamente pela ação poderosa e imediata de Deus, mesclada de ira. Este capítulo do Apocalipse é a consolidação no que diz respeito a toda e qualquer revolta ou rebelião do ser humano ou de hostes espirituais do mal. O bem triunfará e o Cordeiro de Deus tirará definitivamente ‘…o pecado do mundo’ (Jo.1:29) e só existirá no Universo a semente do bem…” (SILVA, Severino Pedro da. Apocalipse versículo por versículo. 3.ed., p.258).

Temos, então, a execução do julgamento de Satanás e de seus anjos. Falamos em execução, pois o diabo e seus anjos já foram julgados no instante mesmo em que pecaram contra Deus. O próprio Jesus, em Seu ministério terreno, já afirmara que o príncipe deste mundo já estava julgado (Jo.16:11). Aqui haverá a execução, o cumprimento deste julgado.

Continua...

Este artigo é: